sexta-feira, 24 de julho de 2009

A imagem imita o reflexo

Ao olhar pra ela, não vejo meu reflexo. Não. Vejo na verdade a minha imagem e, deste modo, me sinto reflexo. Sou um tipo de cópia de mim mesmo. Vejo-me turvo e distorcido tentando imitar sua beleza perfeita. Somos tão iguais! Mas ela é tão mais que eu! Somos a perfeita continuação um do outro. Mas ela é a simétrica oposição à minha descontinuidade. As vezes sinto que ela pensa a mesma coisa a meu respeito. Aí eu concluo sozinho que nós dois somos enganados pelos nossos olhares viciados e treinados a enxergar no outro a porção melhor da nossa coincidencia. Acho que na verdade somos muito mais belos e bons assim, diametralmente combinados e, após augum tempo observando, passamos a não fazer mais sentido descolados um do outro.

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